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Estrada Nacional 2 de mota: etapas, dias e que mota levar

A N2 tem 739,26 km entre Chaves e Faro. Veja quantos dias reservar, as 6 etapas, que mota alugar em Lisboa e o que saber sobre carta e caução.

EREquipa RENT.MOTO.PTEquipa editorialPublicado12 de outubro de 2026Atualizado12 de outubro de 2026
Factos verificados em fontes oficiaisSem links patrocinados5 fontes citadas
Estrada Nacional 2 de mota: etapas, dias e que mota levar
2
anos de experiência a alugar motas em Lisboa
27
motas e scooters na frota, testadas por nós
4.9
199 avaliações verificadas no Google

Há estradas que servem para ir de A a B e há estradas que são a própria viagem. A Estrada Nacional 2 pertence ao segundo grupo. Começa em Chaves, junto à fronteira com Espanha, e acaba em Faro, à beira da Ria Formosa, sem nunca sair do país. Quem decide fazer a Estrada Nacional 2 de mota escolhe a via mais lenta, mais sinuosa e, para muitos, mais honesta para conhecer Portugal por dentro. Este guia explica quanto tempo reservar, como dividir as etapas, que mota levar e o que convém saber antes de arrancar de Lisboa.

Em resumo:

  • A N2 tem 739,26 km entre Chaves e Faro e atravessa 35 concelhos de 11 distritos.
  • Para andar com gosto, conte 4 a 6 dias; em 6 dias são cerca de 123 km por dia, em média.
  • Uma mota com autonomia de 350 a 400 km chega para qualquer etapa, mesmo com paragens.
  • Em outubro de 2026, uma Honda Transalp 750 custa cerca de 110 € por dia, com 400 km/dia incluídos.
  • Leve carta A e comprovativo de experiência: acima de 700 cc a loja exige 2 anos de condução.
Estrada de montanha com curvas suaves, vegetação densa e picos ao fundo
Estrada de serra com asfalto limpo e vista aberta

O que é, afinal, a Estrada Nacional 2

Segundo o site oficial da Rota da Estrada Nacional 2, a N2 é a estrada mais extensa de Portugal, com 739,26 quilómetros, e foi instituída a 11 de maio de 1945 no Plano Rodoviário, pelo decreto-lei n.º 34593. Liga Chaves, em Trás-os-Montes, a Faro, no Algarve, e passa por 35 concelhos, quase todos de interior. A mesma fonte compara-a à Route 66, nos Estados Unidos, e à Ruta 40, na Argentina, as outras duas estradas do mundo que atravessam um país de uma ponta à outra.

O que muda para quem anda de mota é o carácter da estrada. Não é uma autoestrada nem pretende ser. A N2 entra pelo interior das povoações, passa por pontes sobre rios, sobe serras e desce a planícies. O site oficial descreve troços à sombra de copas que se fecham sobre o alcatrão e outros de aridez de estepe. Há curvas e contracurvas nas serras do Norte e do Centro, e retas longas no Alentejo, onde o mais difícil é manter a atenção.

A estrada também tem uma associação a defendê-la. A Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 foi constituída a 5 de novembro de 2016 em Santa Marta de Penaguião, com o objetivo de promover a N2 como produto turístico. O site oficial convida a fazer a estrada de carro, autocaravana, moto ou até à boleia, e a associação tem morada nessa vila do Douro. Em maio de 2022, segundo o Postal, a estrada assinalou 77 anos ali mesmo, numa cerimónia com autarcas dos 35 concelhos.

Quanto tempo reservar

Faz-se em dois dias? No sentido literal, sim: com 400 km por dia de aluguer incluídos, 739 km cabem em dois dias de oito ou nove horas ao guiador. Mas isso é transformar uma estrada de descoberta numa prova de resistência. Com pouca luz no fim do dia, curvas que pedem concentração e vilas que apetece ver, o resultado é cansaço e fotografias desfocadas.

Fiz as contas por distância total, sem inventar quilómetros por troço. Dividido por 4 dias, o percurso dá cerca de 185 km por dia. Por 5 dias, cerca de 148 km. Por 6 dias, cerca de 123 km. Em estrada de serra, 120 a 150 km por dia deixam tempo para almoçar sem pressa e chegar ao hotel com luz. Por isso o meu número de referência é 6 dias; 4 dias é o mínimo para quem tem muita quilometragem.

Os 400 km diários incluídos no aluguer chegam e sobram: em 6 dias há 2400 km incluídos, e a N2 pesa 739 km, mais o que somar ao ir e vir de Lisboa. Cada km extra custa 0,35 €, mas dificilmente chegará lá.

Seis etapas para fazer a N2 de norte a sul

A lista de concelhos abaixo vem do site oficial da rota, pela ordem em que a estrada os atravessa. A divisão em etapas é minha: tentei equilibrar o número de concelhos por dia (5, 5, 7, 7, 6 e 5, num total de 35). Os troços não têm todos o mesmo comprimento, por isso confirme sempre no GPS e ajuste ao seu ritmo.

Dia 1: Chaves, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua

Arranca no quilómetro zero, em Chaves, e desce para o Douro. É uma etapa de transição entre o Alto Trás-os-Montes e a região vinhateira. Em Santa Marta de Penaguião, onde nasceu a associação da rota, pare no centro e siga para a Régua, já com o rio à vista. O Douro tem ainda outras estradas boas, como mostram as rotas de moto pela Serra da Estrela, Douro e Peneda-Gerês.

Dia 2: Lamego, Castro Daire, São Pedro do Sul, Viseu e Tondela

É o dia das serras e das cidades médias. Lamego e Viseu têm centro histórico para andar a pé ao fim da tarde; entre uma e outra o asfalto sobe e desce e pede uma mota ágil. Se levar uma scooter maxi ou uma trail média, vai sentir-se em casa.

Dia 3: Santa Comba Dão, Mortágua, Penacova, Vila Nova de Poiares, Lousã, Góis e Pedrógão Grande

Sete concelhos numa etapa que cruza o centro do país. É um dia de curvas contínuas, em que a prioridade é gerir a travagem nas descidas.

Dia 4: Sertã, Vila de Rei, Sardoal, Abrantes, Ponte de Sor, Avis e Mora

Aqui a paisagem muda. A serra dá lugar à planície. Abrantes é um bom sítio para reabastecer. Antes de entrar no Alentejo, encha o depósito.

Dia 5: Coruche, Montemor-o-Novo, Viana do Alentejo, Alcácer do Sal, Ferreira do Alentejo e Aljustrel

A etapa mais plana e, por isso, a mais perigosa para a concentração. As retas são longas, o vento pode apanhar de lado e a estrada convida a ir mais depressa do que devia. Mantenha o ritmo, pare de hora a hora e beba água.

Estrada reta e vazia atravessando uma planície seca com montanhas ao fundo
Retas longas e horizonte aberto, típicos de uma etapa de planície

Dia 6: Castro Verde, Almodôvar, Loulé, São Brás de Alportel e Faro

O último dia desce do Baixo Alentejo para o Algarve e acaba em Faro, a meta, onde se tira a foto com a mota.

Que mota levar

Quem faz a N2 raramente precisa de uma mota de mais de 100 cv. A estrada é boa na maior parte do percurso, mas tem troços de asfalto envelhecido, remendos e entradas de aldeia com lombas, onde uma suspensão com curso ajuda. O que importa de verdade é autonomia, conforto de banco e um peso que se gere sem esforço em manobras de hotel.

Estes são quatro modelos da frota que encaixam, com os dados que constam das respetivas páginas de aluguer. Os preços são os de outubro de 2026 e incluem IVA a 23%, seguro de responsabilidade civil, assistência em viagem e capacete simples do condutor.

ModeloPreço por diaPotênciaPesoAssentoAutonomiaCaução
Honda Transalp 750cerca de 110 €91,8 PS208 kg850 mmcerca de 390 km1000 €
Yamaha Ténéré 700 Rallycerca de 120 €73,4 PS210 kg910 mmcerca de 350 km1300 €
Honda Africa Twin CRF 1100cerca de 140 €102 PS231 kg870 mmcerca de 380 km1100 €

A escolha racional: Honda Transalp 750

Se me pedissem uma única resposta, seria esta. Com 92 cv, 208 kg e assento a 850 mm, a Transalp é a adventure média que quase toda a gente consegue levar bem. Tem um depósito de 16,9 L e autonomia declarada de cerca de 390 km, o que significa que o combustível deixa de ser uma preocupação. A descrição da loja resume-a como uma mota para viajar sem os 145 cv de uma máquina maior. Para a N2 é o equilíbrio certo entre curva e retas. Pode alugar uma Honda Transalp 750 em Lisboa e fazer a etapa que preferir.

A opção para quem não quer cansar-se: Honda NC750X

A NC750X é a menos espetacular da lista e talvez a mais inteligente. Tem 59 hp, depósito de 14,1 L e autonomia de cerca de 400 km, a maior de todas as que refiro aqui. Quem prefere uma mota tranquila, sem surpresas, para fazer seis dias seguidos, vai agradecer. É também a mais barata, a cerca de 100 € por dia.

Para quem quer terra: Yamaha Ténéré 700 Rally

A Ténéré é a escolha para quem quer sair do asfalto e explorar um caminho de terra num dos desvios da rota. O assento a 910 mm é alto: se não chega bem ao chão com os dois pés, não é a sua mota. A autonomia de cerca de 350 km é a mais curta destes quatro modelos, pelo que convém planear as paragens para reabastecer. A caução é de 1300 €.

Para ir confortável: Honda Africa Twin

Com 102 cv e 231 kg, é a maior do grupo, mas continua a ser mais simples do que uma BMW GS de grande porte. Quem já tem calo em trail grande vai bem; quem anda pela primeira vez numa mota deste porte deve começar por uma mais leve.

Carta, caução e regras de aluguer

Para qualquer uma destas motas é preciso carta de condução da categoria A, cartão de crédito ou débito para a caução e documento de identificação. De acordo com os termos e condições da loja, os veículos com mais de 125 cc exigem idade mínima de 21 anos, e os de mais de 700 cc exigem também experiência comprovada de pelo menos 2 anos em motociclos de características e potência semelhantes. A Transalp, a Ténéré e a Africa Twin entram neste segundo grupo.

A caução fica retida no cartão, não é debitada, e é libertada em 5 dias úteis. Para reservar, paga 30% do valor. O levantamento é na loja de Sobreda, todos os dias entre as 09:00 e as 19:00. A entrega no aeroporto ou ao domicílio é um serviço pago à parte.

Um pormenor que convém esclarecer: as páginas das motas indicam levantamento e devolução na loja de Sobreda. Se quiser acabar a viagem em Faro em vez de voltar a Lisboa, pergunte à loja antes de reservar se isso é possível e em que condições. Não vi essa informação publicada, por isso não a dou como garantida. Veja a frota completa de aluguer de motas em Lisboa para comparar todos os modelos.

Casal de moto com capacetes parado no trânsito de uma cidade
Sair da cidade é a parte mais lenta, o resto da estrada compensa

O passaporte da N2 e os carimbos

A rota tem um passaporte oficial em que se recolhem carimbos nos concelhos por onde passa. No site, a página Onde carimbar lista os 35 municípios, agrupados por região: Norte, Centro, Alentejo e Algarve. A viagem ganha pontos de paragem e uma desculpa para entrar nas vilas.

Não encontrei publicado o preço do passaporte nem os locais de venda, por isso não os indico. Veja os dois no site oficial antes de arrancar.

Preparar a viagem sem surpresas

Equipamento e bagagem

Seis dias pedem pouca bagagem. Duas malas laterais ou uma bolsa de depósito chegam. Leve impermeável por cima do blusão, luvas de verão e de meia estação, e uma camada fina por baixo. Na serra, de manhã, o frio apanha de surpresa mesmo em dias de sol. A loja inclui apenas o capacete simples do condutor, pelo que o resto do equipamento é com o motociclista.

Quando ir

Aqui entra opinião, não um dado: evitaria o pico do verão no Alentejo, onde rodar horas em planície aberta com blusão fechado cansa. Consulte a previsão do tempo na véspera de cada etapa.

Reabastecer e dormir

Abasteça quando o depósito chegar a metade. Para dormir, reserve a primeira noite com antecedência e deixe as outras em aberto, caso um troço demore mais do que o previsto.

Antes de arrancar de Lisboa

Faça a inspeção ao levantar a mota: o representante da loja revê o estado exterior e mecânico consigo e regista os danos existentes. Fotografe tudo, incluindo pneus e carenagens. Confirme as horas de levantamento e de devolução, e leve o telemóvel carregado e um suporte para GPS.

Quanto custa fazer a N2 de mota

Fica aqui uma conta ilustrativa, para ter ordem de grandeza. Seis dias com uma Honda Transalp 750, a cerca de 110 € por dia em outubro de 2026, dão cerca de 660 €. A isso soma-se a caução de 1000 €, que não é cobrada: fica retida e é libertada em 5 dias úteis. Se optar pela NC750X, a cerca de 100 € por dia, são cerca de 600 €. Com a Ténéré 700, a cerca de 120 € por dia, são cerca de 720 €.

Combustível, alojamento e refeições ficam de fora e dependem do seu estilo de viagem. A reserva faz-se com 30% do valor.

Perguntas frequentes

Quantos quilómetros tem a Estrada Nacional 2?

Segundo o site oficial da rota, a N2 tem 739,26 km e liga Chaves a Faro, atravessando 35 concelhos. Algumas notícias antigas falam em 738 km, mas o valor oficial é 739,26.

Preciso de carta A para fazer a N2 de mota?

Para as motas acima de 125 cc da frota, sim: a loja exige carta da categoria A, idade mínima de 21 anos e, acima de 700 cc, 2 anos de experiência comprovada. Os modelos de 125 cc pedem carta A1 ou B.

Quantos dias são precisos?

Para conduzir sem pressa, entre 4 e 6 dias. Em 6 dias são cerca de 123 km por dia, em 4 dias cerca de 185 km. O aluguer inclui 400 km por dia, por isso o limite de quilómetros não costuma ser problema.

Posso fazer só um troço da N2 a partir de Lisboa?

Pode. A parte alentejana, que inclui Coruche, Montemor-o-Novo, Alcácer do Sal e Aljustrel, é a mais próxima de Lisboa e dá uma viagem de um ou dois dias sem precisar de fazer a estrada toda. Escolha uma mota com boa autonomia e peça à loja que confirme as condições de devolução.

Pronto para andar de mota em Lisboa?

Reserve a sua mota ou scooter em poucos minutos, com entrega em Lisboa.

Ver a frota

Fontes

  1. 1Rota da Estrada Nacional 2https://www.rotan2.pt/page/1
  2. 2Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2https://www.rtp.pt/noticias/economia/associacao-da-rota-da-en2-nasce-e-junta-municipios-de-chaves-a-faro_n959643
  3. 3de carro, autocaravana, motohttps://www.rotan2.pt
  4. 4Postalhttps://postal.pt/nacional/mitica-en2-assinalou-os-seus-77-anos-em-santa-marta-de-penaguiao/
  5. 5Onde carimbarhttps://www.rotan2.pt/passport
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